ATENDIMENTO AO CIDADÃO

Foto: Idosos do Retiro dos Artistas no Teatro Ipanema Rubens Corrêa. Crédito: Bruno Itan.

 

Moradores do Retiro dos Artistas assistiram ao espetáculo “Doce Árido”, no Teatro Ipanema Rubens Corrêa, em uma iniciativa que aproximou memória, arte e direito à cultura


A Coordenação do Núcleo de Defesa dos Direitos Humanos (NUDEDH) da Defensoria Pública do Estado do Rio de Janeiro (DPRJ) promoveu uma iniciativa de acesso à cultura para idosos acolhidos no Retiro dos Artistas. Em parceria com a direção do espetáculo “Doce Árido”, a ação possibilitou que moradores da instituição fossem ao Teatro Ipanema Rubens Corrêa, neste domingo (9), para assistir à apresentação.

A iniciativa integra a atuação da Defensoria Pública na promoção e proteção dos direitos da pessoa idosa e amplia o olhar para dimensões que vão além da assistência, como o direito à cultura, ao lazer, à convivência e à participação na vida cultural. 

Entre os participantes estava Betti Pinho, de 81 anos. Moradora do Retiro dos Artistas, ela conhece bem o palco e faz parte de uma geração que transformou a arte em profissão, ofício e forma de vida. Desta vez, porém, voltou ao teatro na condição de espectadora.

A experiência também evidenciou a importância de criar condições para que pessoas idosas possam acessar espaços culturais. Para Betti, que conhece as dificuldades enfrentadas por quem deseja continuar frequentando o teatro, a oportunidade teve um significado especial.

— Não é que as pessoas não gostem do teatro. As pessoas não conseguem ir ao teatro, elas não têm acesso — afirmou Betti.

Emocionada após a apresentação, Betti destacou a importância da mobilização realizada pela Defensoria para viabilizar a participação dos moradores.

— Eu estou emocionada, agradeço à Defensoria por ter proporcionado nossa vinda ao teatro. Sem vocês, não estaríamos aqui — contou Betti.

 

Foto: Platéia da peça Doce Árido. Crédito: Bruno Itan.

 

A ação foi viabilizada por meio da articulação da Defensoria Pública com a direção do espetáculo, que disponibilizou gratuidades para os moradores do Retiro dos Artistas. A iniciativa buscou aproximar os acolhidos de uma atividade cultural e criar condições para que pudessem participar da experiência. Mais do que possibilitar a presença em uma sessão de teatro, a parceria reafirma a cultura como um direito e como parte da proteção integral da pessoa idosa.

Entre os moradores que participaram da sessão estavam pessoas que foram atrizes, produtoras, musicistas e maestros. Profissionais que passaram a vida nos palcos tiveram, assim, a oportunidade de retornar a um teatro — não para se apresentar, mas para assistir a uma história.

Para o subcoordenador do NUDEDH, Lucas Nunes, a iniciativa também expressa o papel da Defensoria Pública na construção de um acesso à Justiça que vá além da dimensão formal, com uma atuação concreta e proativa na garantia de direitos.

— O acesso à Justiça não pode ser compreendido apenas como o acesso formal ao sistema de Justiça. O papel da Defensoria Pública é atuar de forma proativa, identificando barreiras e criando caminhos para que as pessoas possam conhecer, acessar e exercer efetivamente seus direitos. É uma atuação que busca aproximar a instituição da realidade das pessoas e tornar a garantia de direitos cada vez mais concreta — explicou.

Foto: Espetáculo Doce Árido. Crédito: Bruno Itan

 

Uma história sobre mulheres e sobrevivência

Escrito e dirigido por Tairone Vale, “Doce Árido” acompanha três gerações de mulheres de uma região isolada do sertão de Minas Gerais. Avó, mãe e filha sobrevivem da produção artesanal de doce de leite até receberem uma grande encomenda internacional, que pode transformar suas vidas.

A peça aborda temas como solidão, dificuldades cotidianas e saúde mental, a partir da realidade de personagens que vivem em um ambiente marcado pela precariedade e pela falta de recursos.

— A gente fala sobre solidão, dificuldade, saúde mental e como lidar com essas questões em um ambiente precário, onde tudo falta — explicou Tairone Vale, diretor do espetáculo.

Para Cris Bourgeaiseau, diretora de arte da montagem, a aproximação com diferentes públicos faz parte da própria trajetória de “Doce Árido”. Segundo ela, ampliar o acesso ao teatro também é uma forma de fazer com que a arte alcance pessoas que nem sempre têm a oportunidade de frequentar esses espaços.

— A ideia é levar o espetáculo a pessoas para quem o acesso ao teatro nem sempre é possível. A parceria com a Defensoria possibilitou ampliar esse acesso. A arte tem que estar acessível para todos — afirmou.



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