
A Defensora Luciana Mota representou o Nucora na visita - Foto: Bruno Itan
A Defensoria Pública do Estado do Rio de Janeiro (DPRJ), por meio do Núcleo de Combate ao Racismo e à Discriminação Étnico-Racial (Nucora), visitou, na última quinta-feira (02), o Quilombo Ferreira Diniz, localizado na Rua Cândido Mendes, na Glória. A visita, de acordo com a Defensora Pública e Coordenadora de Promoção da Equidade Racial, Luciana Mota, faz parte de uma iniciativa do Nucora que pretende conhecer comunidades fluminenses, levando a Defensoria Pública diretamente ao território para ouvir e acolher demandas históricas.
O terreno foi ocupado por duas famílias nos anos 50, e inclui dois casarões, um quintal que sedia eventos como a Feijoada da Tia Cida, que ocorre todas as sextas, e uma área verde. Atualmente, a comunidade está em processo de tombamento pelo IPHAN, com o objetivo de ser o primeiro quilombo urbano a ser tombado no Brasil. De acordo com Érida Ferreira, representante do Quilombo, essa iniciativa será aproveitada como um modelo de implementação desse decreto, pois muitas comunidades quilombolas sequer se inscreveram para serem tombadas, e isso serviria de conscientização para a população desses espaços.

Foto: Bruno Itan
– Trata-se de uma comunidade de imensa riqueza cultural e com tombamento provisório pelo IPHAN, mas que hoje enfrenta graves desafios estruturais, que vão de problemas de acessibilidade e preservação do patrimônio até a necessidade urgente de regularização fundiária. O nosso objetivo no NUCORA é atuar de forma firme para que esses moradores tenham o apoio institucional necessário para desenvolver seus projetos coletivos, como a horta comunitária, e para formalizar seus eventos culturais tradicionais, garantindo a salvaguarda e a autonomia desse território ancestral – relatou a Defensora Pública e Coordenadora de Promoção da Equidade Racial, Luciana Mota.
Entre as outras demandas da comunidade, estão a liberação de orçamento para obras a serem feitas dentro dos casarões, doação do terreno anexo ao quilombo para que sejam feitas obras de acessibilidade, e também no poço histórico do terreno, que sofre com rachaduras devido às chuvas, e corre risco de desabamento.
Texto: Victor Silveira