
Iniciativa da DPRJ reúne novas famílias para promover escuta, vínculo e caminhos de convivência após reconhecimento de paternidade
Famílias recém-formadas após o reconhecimento de paternidade se reuniram, na última quinta-feira (12), em um círculo de diálogo promovido pelo Polo de Mediação e Ações Restaurativas (POMAR) da Defensoria Pública do Estado do Rio de Janeiro (DPRJ). O encontro ocorreu no 15º andar do edifício Menezes Cortes, no Centro do Rio, e buscou acolher pais e mães que receberam recentemente resultados positivos de exames de DNA, incentivando a construção de vínculos e o diálogo sobre os próximos passos da parentalidade.
A atividade foi conduzida pela subcoordenadora do POMAR, a Defensora Pública Larissa Davidovich, que convidou as famílias para uma roda de conversa e reflexão. Sentados em círculo, os participantes compartilharam experiências e expectativas sobre o que significa construir uma família a partir daquele momento.
— Essas famílias que acabaram de chegar com os resultados do exame de DNA, vem com muitos desafios na comunicação e dúvidas sobre os próximos passos. Nós acolhemos ,e por meio do círculo fazemos com que se escutem, se conectem e encontrem caminhos de convivência de forma mais saudável e dialógica— explicou a Defensora.
Durante a dinâmica, os participantes foram estimulados a refletir sobre suas próprias histórias e referências familiares. Perguntas como “o que é família para você?” ou “que tipo de pai ou mãe você quer ser a partir de agora?” ajudaram a abrir espaço para a escuta e para o reconhecimento das experiências individuais. O objetivo é que, antes de recorrerem ao Judiciário, os pais possam construir acordos e formas de convivência pautadas no diálogo e no bem-estar da criança.
Além da roda de conversa, o encontro também permite identificar as necessidades de cada família. A partir disso, a equipe do POMAR pode encaminhar os casos para sessões de mediação ou conciliação, dependendo da situação.
Entre os participantes estava a assistida Jéssica, mãe de uma menina de um ano e nove meses. Ela contou que procurou a Defensoria Pública para iniciar o processo de investigação de paternidade e se surpreendeu com a rapidez do atendimento e com a proposta de diálogo oferecida pelo POMAR.
—- Às vezes a gente acha que está tudo resolvido, que é só assinar um papel. Mas é importante ter esse espaço de conversa, porque a gente também precisa ouvir e entender o outro lado. Eu achei muito interessante essa dinâmica, porque ajuda a acalmar nosso coração e a abrir nossa mente — relatou.
Para muitas famílias, o encontro também representa o primeiro contato entre pai e filho após a confirmação do vínculo biológico. Ao criar um ambiente de acolhimento e escuta, a iniciativa busca transformar um momento que poderia ser marcado por conflitos em uma oportunidade de construção conjunta.
Ao final do círculo, as famílias também podem sair com encaminhamentos práticos definidos, como acordos iniciais sobre convivência e pensão, além do agendamento de novas sessões de mediação quando necessário. O objetivo é garantir que o reconhecimento de paternidade não se limite ao registro civil, mas seja também o início de uma relação baseada em responsabilidade, diálogo e cuidado com a criança.
Texto: Mylena Novaes