
Vistoria avalia atendimento a menino com fratura em São Pedro da Aldeia após imagens circularem nas redes sociais
A Defensoria Pública do Estado do Rio de Janeiro (DPRJ) realizou, na última quinta-feira (15), uma vistoria na Unidade de Pronto Atendimento (UPA) Pediátrica de São Pedro da Aldeia, na Região dos Lagos, para investigar o atendimento oferecido a uma criança que sofreu fratura no braço e teve o membro imobilizado de forma improvisada com papelão. O caso ganhou ampla repercussão após imagens do atendimento circularem nas redes sociais.
O episódio ocorreu na primeira segunda-feira do ano (5), quando a criança se acidentou ao andar de skate no Centro da cidade. Após a queda, ela foi levada por uma viatura da Polícia Militar à unidade de saúde, onde realizou exame de raio-x que confirmou a fratura. Ainda assim, houve a imobilização improvisada do membro e a posterior alta médica.
A vistoria foi realizada pelas Defensoras Públicas Renata Pinheiro Pereira, Subcoordenadora de Saúde da DPRJ, e Flávia Mac-Cord, do 3º Núcleo Regional de Tutela Coletiva, acompanhadas da médica fiscal Lilian Morellato, integrante da Coordenação de Saúde da instituição. A equipe foi recebida pela direção da unidade, que reconheceu que o atendimento prestado não está em conformidade com os protocolos adotados pela UPA.
Segundo a Defensoria, as imagens divulgadas evidenciam uma situação grave e incompatível com os protocolos assistenciais.
— O vídeo anteriormente veiculado na mídia retrata uma situação grave, em que houve a imobilização improvisada do membro superior da criança e a posterior alta, quando ela deveria ter sido encaminhada ao hospital de referência em ortopedia da região, o Hospital Estadual Roberto Chabo, para avaliação e tratamento — afirmou a Subcoordenadora de Saúde da DPRJ, Renata Pinheiro Pereira.
Para a Defensoria, mesmo sem a presença de ortopedista na unidade, a conduta adotada não se justifica.
— Embora a UPA não conte com ortopedista, os atendimentos ortopédicos, especialmente por se tratar de uma UPA Pediátrica, são frequentes, o que não justifica o desconhecimento da equipe quanto à conduta adequada ao caso. Há necessidade de intensificação da capacitação, que deve ser contínua, assim como de apuração das responsabilidades cabíveis — completou Renata Pinheiro.
Durante a vistoria, a Defensoria constatou que as condições físicas e assistenciais da unidade estavam satisfatórias, com limpeza adequada, acessibilidade e abastecimento regular de insumos e medicamentos. No âmbito administrativo, foi informado que atuarão as Comissões de Revisão de Prontuário e de Ética Médica, além do reforço na capacitação das equipes.
A Defensoria Pública do Rio aguarda manifestação da Fundação Saúde e da direção da unidade aos questionamentos encaminhados por ofício e continuará acompanhando o caso.
Texto: Mylena Novaes